NOVABIO

MP assegura repasse de R$ 300 milhões para fornecedores de cana do NE

Os produtores de cana do nordeste receberão do governo federal um repasse de R$ 300 milhões. A Medida Provisória (MP) que concede o subsídio foi assinada em Brasília, na terça-feira, dia 30, pelo presidente da República Luiz Inácio da Silva. O repasse tem como objetivo reduzir os impactos gerados pelo tarifaço dos Estados Unidos (EUA) sobre a última safra (2025/26). A subvenção prevê que os fornecedores de cana recebam R$ 12 por cada tonelada de cana fornecida no período. Cerca de 17 mil produtores deverão ser beneficiados com a medida.

Essa conquista foi resultado de um amplo trabalho de articulação desenvolvido pelas entidades representativas do setor canavieiro nordestino. A expectativa agora é de que os recursos sejam operacionalizados o mais rapidamente possível, garantindo que os benefícios cheguem com brevidade aos produtores.

Tarifaço de Trump

O tarifaço aplicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, teve grandes impactos no setor da cana. Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e presidente executivo da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio), Renato Cunha, a taxação prejudicou não somente as usinas de cana, como também a cana própria e a cana de fornecedor.

“Desde a safra passada, em 2025, o tarifaço americano diminuiu os níveis de remuneração do açúcar do Nordeste, que é exportado para os Estados Unidos de forma preferencial, de acordo com a lei brasileira e com a Organização Mundial do Comércio. Esses preços do açúcar foram diminuídos bastante em função das novas tarifas que, além das usinas, prejudicaram também os preços da cana”, explicou Cunha.

Articulação do setor

Para o presidente da União dos Produtores de Cana do Nordeste (Unida), Pedro Campos Neto, a subvenção chega em uma hora fundamental, trazendo alívio financeiro e contribuindo para a sustentabilidade econômica de milhares de famílias”, afirmou, destacando também a atuação conjunta das entidades do setor.

“Essa vitória demonstra a força da união dos produtores e das suas entidades representativas. Quando trabalhamos de forma integrada, com diálogo, responsabilidade e perseverança, conseguimos transformar reivindicações legítimas em resultados concretos. Essa conquista é de todos os produtores do Nordeste e reforça a importância de mantermos nossas associações fortalecidas e atuantes”, acrescentou.

Agilizar a regulamentação da MP

Para o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima, o trabalho agora consiste em agilizar o processo de regulamentação da MP. “Agora já estamos trabalhando para intensificar a regulamentação”, disse.

“Ontem mesmo já tivemos uma reunião com o Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, André de Paula, para que o pagamento aos fornecedores seja realizado de forma rápida. Apesar da iniciativa ainda seguir para apreciação do Congresso Nacional, a MP já tem força de lei”, explicou o presidente da AFCP.

Momento difícil e preços defasados

“Um momento difícil, o setor aqui do Nordeste passou o ano passado, e esse ano também os preços estão muito defasados, teve o tarifaço do Trump, que afetou demais o preço da cana aqui com relação à cota americana que é destinada para o Nordeste, e fomos muito prejudicados com relação a isso”, explica Lima.

Taxação permanece

Mesmo com percentual menor, a taxação ainda permanece afetando os produtores. “Estamos sendo prejudicados de novo com essa taxação. O ano passado foi 40%, esse ano está 25%. Caiu a taxação, mas estamos sendo taxados de novo, e o preço de açúcar que veio dar uma graça aqui de melhorar agora há pouco, mas foi muito ruim o ano passado e não tem boas perspectivas de preços remuneradores esse ano”, destacou Lima.

Fonte: Jornal Cana

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