NOVABIO

Açúcar: após fim do tarifaço, é hora de reconstruir relação com os EUA, diz NovaBio

As usinas de cana-de-açúcar do Nordeste esperam que, após a derrubada do tarifaço pela Suprema Corte americana, seja “tempo de reconstruir” a relação entre Brasil e Estados Unidos. A aposta do setor agora é de que a relação bilateral se estabilize após a reunião que deve ocorrer entre os presidentes Lula e Donald Trump em março.

“Agora é tempo de reconstruir, de voltarmos a ter relações, após prejuízos que foram bastante onerosos”, afirmou Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-Pernambuco e da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), em entrevista ao “Valor Econômico/Globo Rural”.

Com a nova tarifa anunciada por Trump, após a decisão da Justiça, na prática, a alíquota sobre as exportações brasileiras de açúcar foi reduzida em 40 pontos percentuais. No entanto, essa diminuição não deve ter efeito sobre o grosso das exportações de açúcar, já que as usinas do Nordeste já exportaram quase 90% do açúcar produzido na safra 2025/26, afirmou Cunha.

As usinas do Nordeste já embarcaram 135 mil toneladas de açúcar desta safra, e há só mais uma última embarcação, que será carregada com 20 mil toneladas, e que ainda deverá ser enviada ao mercado americano. A expectativa do setor é que essa carga já entre em território americano com a aplicação da tarifa de 10%, e não mais de 50%

“O que estamos focando é a negociação da safra 2026/27. Isso estava colocando-nos numa situação ainda mais difícil”, afirmou o dirigente. A produção da temporada 2026/27 começará a entrar no mercado em setembro, mas as usinas já costumam iniciar as negociações com antecedência, e uma indefinição sobre os termos do comércio poderia atrasar as vendas. Por isso, a expectativa é que a reunião bilateral que deve ocorrer em março ofereça uma solução para as exportações de açúcar do Brasil aos EUA.

Cunha lembrou que, antes do tarifaço de agosto de 2025, que atingiu as exportações de açúcar em 50%, o açúcar brasileiro já estava pagando 10% para entrar no mercado americano desde o início de 2025.

Segundo o presidente da NovaBio, o impacto do tarifaço sobre o setor produtivo do Nordeste foi de “prejuízos fáticos”, já que as usinas do Nordeste dependem das exportações de açúcar para sobreviver. Atualmente, 60% dos produtos extraídos dos Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana na região é destinada para o mercado externo.

“O fornecedor de cana hoje está com preços completamente deprimidos. A sequela foi muito forte no Nordeste. O fornecedor de cana está sem recurso para comprar adubo”, disse.

Fonte: Valor Econômico/Globo Rural

Comente o que achou: