
BROADCAST – O Brasil manterá sua cota de exportação de açúcar para os Estados Unidos em 155,9 mil toneladas no ano fiscal 2026 (outubro de 2025 a setembro de 2026), mas a incidência de uma tarifa de 50% sobre os produtos exportados pelo País torna a operação mais onerosa para os produtores do Nordeste, podendo inviabilizá-la.
O anúncio da cota foi feito pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) nesta sexta-feira, com o detalhamento das alocações por país para açúcar bruto, refinado, especialidades e produtos que contenham açúcar.
No caso do açúcar bruto, o volume total definido é de 1,117 milhão de toneladas métricas em valor bruto, mínimo exigido pelo compromisso dos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC). A República Dominicana terá a maior cota, com 189.343 toneladas, seguida pelo Brasil, com 155.993 toneladas – o mesmo volume concedido no ano fiscal anterior. Outros destaques são as Filipinas (145.235 toneladas) e a Austrália (89.293 toneladas).
“Foi mantida a cota de 155,9 mil toneladas. Porém, com os 50%, isso fica muito oneroso para os produtores do Nordeste”, afirmou o presidente da NovaBio, Renato Cunha, ao Broadcast Agro.
Segundo Cunha, a decisão sobre as vendas ainda não foi tomada pelas usinas. Ele destacou que o regime de cotas nos EUA normalmente é vantajoso, pois a tarifação fora da cota chegava a 80%. Porém, a situação se tornou complicada diante do anúncio recente da taxa de 50% sobre as exportações brasileiras.
A cota brasileira é mantida desde os anos 1960, sendo destinada ao Nordeste, em conformidade com a lei que determina que os mercados preferenciais devem ser atendidos por razões socioeconômicas por usinas do Norte e Nordeste, conforme as diretrizes da Organização Mundial do Comércio. Cunha lembrou que, apesar da cota ser relativamente pequena em comparação à produção brasileira de mais de 40 milhões de toneladas anuais de açúcar, ela tem impacto direto sobre o preço da cana para os fornecedores da região.
O executivo lamentou que o açúcar brasileiro não tenha sido incluído na lista de exceções ao tarifaço. Mas não descartou a possibilidade de os Estados Unidos continuarem comprando o produto. “Era muito
importante estarmos incluídos nessa lista de exceção. Mas eles vão acabar comprando. Produzem nove
milhões de toneladas e consomem 12 milhões de toneladas. Então, de uma forma ou de outra, eles vão
importar”, disse.
Para o açúcar refinado, a cota global foi fixada pela USTR em 22 mil toneladas, sendo 10.300 para o
Canadá, 2.954 para o México e 7.090 para administração por ordem de chegada. Dentro desse volume,
1.656 toneladas são reservadas para açúcar especial. No caso de produtos que contenham açúcar, a cota
total é de 64.709 toneladas, das quais 59.250 toneladas foram destinadas ao Canadá e o restante ficará
disponível para outros países. Diferentemente de 2025, não foi ampliada a cota de açúcar especial neste
ciclo.
Foto: Armazenagem de Açúcar – Crédito: Czarnikow/Divulgação
Fonte: Broadcast