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Produção de etanol sobe no Norte e Nordeste mesmo com recuo na moagem

Usina sucroenergética na Paraíba – Foto: Divulgação

Recife, 6 de abril de 2026 – A moagem de cana na safra 2025-2026 nas regiões Norte e Nordeste no acumulado até o final de fevereiro totalizou 52,8 milhões de toneladas, queda de 4,1% ante o registrado em igual período do ciclo anterior, apresentando – até o momento – um mix mais alcooleiro. Os dados vêm do acompanhamento realizado pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Na Região Norte, a moagem atingiu 6,9 milhões de toneladas, recuo anual de 5,3%, enquanto no Nordeste o processamento da cana chegou a 45,8 milhões de toneladas, 4% abaixo do apurado na mesma data da temporada anterior. Considerando as duas regiões, a produção de açúcar alcançou 2,988 milhões de toneladas, queda de 13,8% em relação a igual intervalo da safra passada.

Etanol em alta

No etanol, a produção total no Norte e Nordeste, até 28 de fevereiro, chegou a 2,790 milhões de metros cúbicos, contra 2,156 milhões do registrado no mesmo período do ciclo anterior, considerando tanto o biocombustível originário da cana quanto o fabricado a partir do milho.

Neste recorte, na categoria de etanol de cana, o volume produzido de anidro somou 852,8 mil metros cúbicos, alta anual de 3,4%, enquanto no hidratado o montante chegou a 1,289 milhão de metros cúbicos, recuo de 3,2% ante o apurado em igual data do ciclo anterior. No caso do etanol de milho, o volume somou 648,5 mil metros cúbicos, sendo 557,3 mil de anidro, e 91,2 mil de hidratado.

“Do ponto de vista climático, observamos uma safra marcada por chuvas irregulares e alternância climática acima da média. Na esfera macroeconômica, é uma temporada fortemente influenciada pela agenda geopolítica. O mix mais alcooleiro, então, decorreu das bolsas dos EUA e Londres, quando as posições de movimentos de fundos foram muito voltadas à volatilidade do mercado internacional do açúcar, que mesmo com fundamentos indicando pequenos déficits no balanço internacional do adoçante, ainda assim apresentaram tendência baixista de preços mais exageradas, fator que se associou aos reflexos do tarifaço Trump, que impactou os embarques brasileiros de açúcar para os EUA, já que esta cota é reservada preferencialmente à produção do Norte/Nordeste”, assinala o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha.

ATR

Os dados de Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana-de-açúcar, nos produtos finais, apontam um recuo de 7%. O índice por tonelada de cana também apresentou queda, no caso, de 3% na comparação com o mesmo período um ano atrás.

No comparativo entre projeção e realização da temporada 2025-2026, até o final de fevereiro o setor alcançou 89,5% da moagem estimada de cana-de-açúcar no total das regiões. A Região Norte, que em dezembro de 2025 praticamente encerrou a moagem na atual safra, apresentou execução mais avançada, com 97% da previsão, enquanto o Nordeste atingiu 88,5%.

Estoques de etanol

Ao término de fevereiro, o volume estocado de etanol de cana apresentava a posição de 322,6 mil metros cúbicos, sendo 143,2 mil de hidratado e 179,4 mil de anidro armazenados. No caso do biocombustível a partir do milho, a mais recente leitura aponta a posição de 21 mil metros cúbicos, sendo 2,1 mil de hidratado e 18,8 mil de anidro estocados.

No total, o estoque de etanol somou 343,7 mil metros cúbicos até fevereiro, recuo anual de 10,25%. O etanol anidro apresentou redução de 9,05%, enquanto o hidratado teve queda de 11,83%.

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