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Tarifaço dos EUA reduziu produção de açúcar em 11% no Norte e Nordeste

As usinas sucroalcooleiras do Norte e do Nordeste reduziram sua produção de açúcar nesta safra 2025/26 e priorizaram a fabricação de etanol depois que os Estados Unidos impuseram o tarifaço sobre o produto brasileiro, que só foi derrubado na semana retrasada. As empresas das duas regiões estão no fim das operações desta safra, e já processaram 81,3% da quantidade de cana-de-açúcar estimada.

Desde 1 de setembro de 2025 a 31 de janeiro, as usinas das duas regiões reduziram em 10,8% a produção de açúcar em relação ao mesmo período da safra passada, para 3,323 milhões de toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura compilados e divulgados pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio).

Essa redução da oferta ocorreu mesmo diante de uma colheita maior de cana-de-açúcar em relação à safra passada. A moagem de cana nas duas regiões cresceu 2,5% e totalizou 59 milhões de toneladas.

Para Renato Cunha, presidente executivo da NovaBio, a queda na produção de açúcar decorreu de “imprevisibilidades de produção no mercado internacional de açúcar, depreciação do dólar no câmbio de exportação e tarifas exageradas nas exportações para os Estados Unidos no âmbito da cota americana”.

“Tudo isso incentivou uma mudança de mix do destino da produção, migrando do açúcar para o etanol. Nesse cenário, os preços de venda estão abaixo dos custos do setor, impedindo que ocorra maior valorização nas bolsas de açúcar do VHP e do produto refinado, o que justifica a destinação maior da produção para o etanol”, acrescentou.

A produção total de etanol nas regiões Norte e Nordeste cresceu 12,7%, para 2,530 bilhões de litros. O etanol anidro foi o principal responsável pelo crescimento, com alta de 44% no acumulado até 31 de janeiro. Já a produção do etanol hidratado recuou 5,6%.

Apesar do aumento de produção, o consumo também está aquecido, o que tem mantido os volumes em estoque ajustados. De acordo com a NovaBio, o estoque total em 31 de janeiro somava 327,8 milhões de litros, recuo de 14,7% em relação à mesma data de 2025. O estoque de etanol anidro apresentou redução de 15,8%, enquanto o de hidratado teve queda de 13,3%.

Fonte: Globo Rural

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