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NovaBio diz que falta previsibilidade tarifária nos embarques de açúcar para os EUA

Uma carga de 20 mil toneladas de açúcar, que será carregada nas próximas semanas em um navio no Nordeste, partirá rumo aos Estados Unidos ainda sem previsão de com qual tarifa deverá entrar em território americano.

Apesar de o presidente Donald Trump ter anunciado no sábado (21/2) que a nova tarifa global seria de 15%, a última ordem executiva que trata sobre a nova tarifa é a de sexta-feira (20/2), que impôs 10% sobre todos os produtos globais que entram nos EUA. A situação tem gerado incerteza entre os produtores de açúcar do Nordeste.

“A previsibilidade é fundamental. É preciso que se instaure um equilíbrio e uma previsibilidade para que os negócios possam fluir e que se possam construir novas operações”, afirma Renato Cunha, presidente da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) em reportagem do “Valor Econômico e Globo Rural” desta segunda-feira (23).

“Se um navio estivesse desembarcando hoje nos Estados Unidos, eu creio que seria 10% [a tarifa vigente]”, diz. Desde o início da safra açucareira 2025/26, que vai de setembro a agosto no Nordeste, as usinas da região embarcaram mais de 130 mil toneladas de açúcar aos Estados Unidos sob uma tarifa de 50%, mesmo dentro da cota de redução tarifária. Historicamente, as usinas nordestinas usufruem de uma cota isenta de tarifas, que lhes permite competir com outras origens no país.

O tarifaço de Trump contra o Brasil (que caiu na sexta-feira após decisão da Suprema Corte americana) havia imposto ao açúcar brasileiro que usufrui essa cota uma tarifa de 50%. Para as empresas do Nordeste, a situação agravou um cenário ruim para as usinas de cana-de-açúcar em geral, que vêm enfrentando preços globais baixos.

Apesar disso, Cunha disse que as usinas do Nordeste não quebraram contratos na última safra. E, com a decisão da Suprema Corte, que, na prática, derrubou a tarifa de 50%, a perspectiva é melhor. “Se a regra for de 15%, é muito melhor do que foi com 50%. Mas também é negativo”, disse. Para o dirigente, “o ideal” é que a tarifa fosse zerada, como já era antes das decisões de Trump.

Fonte: Valor Econômico/Globo Rural

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